Do balcão para a gerência

Adquirida em 2009 pelo banco de investimentos BTG Pactual, a rede de drogarias paulista Farmais deu origem à Brasil Pharma. E assim que surgiu a nova companhia, teve que reavaliar as ferramentas de gestão disponíveis para o setor. “Há 30 anos o segmento farmacêutico não atraía capital humano; quando se pensava em trabalhar com medicamentos, farmácias não eram uma opção. Nossa tarefa foi mudar essa visão “, diz André Sá, presidente da empresa. Para alcançar este objetivo e diminuir o turnover, a companhia desenvolveu um plano de carreira claro: as diferentes funções produtivas são niveladas por faixas salariais e o ciclo para alcançar o cargo mais alto em lojas dura, em média, três anos.

“A pessoa mais importante na Brasil Pharma é o gerente de loja, e hoje qualquer caixa que comece a trabalhar na empresa sabe que levará esse tempo para conseguir o cargo”, conta Sá. BRASIL PHARMA A comunicação interna, outro fator positivo na gestão da empresa, é reforçada por meio de campanhas como o road show cultural criado para aproximar a liderança dos colaboradores.

Presidente e diretores visitam cada unidade para tirar dúvidas e apresentar os dez mandamentos da BR Pharma, divididos em sonho, missão e gente. Ao final, uma placa simbólica é deixada na loja, uma recordação da proximidade dos gestores. “Os funcionários enxergam nossa presença nas lojas como uma premiação. O faturamento das unidades já visitadas cresceu entre 10% e 12% três dias depois”, observa Sá. A pesquisa da Hewitt /Valor Carreira aponta, entre os maiores índices de satisfação, as práticas de gestão relacionadas à diversidade no ambiente de trabalho e a treinamentos e desenvolvimento.

Quando solicitados a opinar sobre o ambiente de trabalho da organização do ponto de vista de valorizar diferenças pessoais, da aceitação de idéias diferentes e tratamento justo, 73% dos entrevistados responderam positivamente.

A média de idade dos trabalhadores da companhia é jovem, sendo que 94% deles têm menos de 45 anos. Além disso, a Brasil Pharma foi o primeiro emprego de mais de 1,3 mil colaboradores em 2012. No quesito treinamento, a maioria dos programas é voltada para a área de vendas, já que a empresa de 17. 855 Funcionários possui pelo menos 15 mil deles ligados diretamente a essa atividade. O principal treinamento aborda todas as fases do processo: abordagem, venda e pós-venda. “Já treinamos 60% dos nossos colaboradores, agora estamos indo em direção ao Norte e Nordeste para capacitá-los”, diz Gabriel Guioto, diretor de gente e gestão. A holding, cuja receita de 2012 é de R$ 3,1 bilhões, aplicou 0,4% deste total em capacitação dos funcionários. Ao longo dos últimos quatro anos, a Brasil Pharma incorporou outras cinco bandeiras: as redes Rosário, do Distrito Federal; Guararapes, de Pernambuco; Big Ben, do Pará; Mais Econômica, do Rio Grande do Sul; e Farmácias Sant Ana, da Bahia.

Recentemente a empresa começou a estudar uma possível fusão com três das maiores distribuidoras de medicamentos do país: Profarma, Pan Pharma e Santa Cruz. As negociações continuam. Se o negócio for concluído com uma das três, estará sendo criada a maior rede de varejo e distribuição de medicamentos do Brasil. Diante dessa perspectiva de expansão, além das 1.160 lojas, entre próprias e franquias, a empresa decidiu criar em abril deste ano a diretoria de integração. O objetivo é identificar casos de sucesso de uma operação para serem replicados nas demais unidades. A diretoria é responsável, inclusive, pela transferência de funcionários entre regionais, o que garante que 94% dos gerentes sejam da casa. Além disso, para engajar ainda mais os colaboradores, foi criado, no final de 2011, um fundo de ações voltado exclusivamente aos trabalhadores da Brasil Pharma. “É uma forma de permitir que os funcionários também se sintam donos”, diz Sá. Como o portfólio do fundo também tem papéis da Brasil Pharma, o colaborador, ao adquirir uma cota do fundo, acaba se tornando sócio, indiretamente. Com um investimento mínimo de RS 50 reais, o fundo contabiliza 1,1 mil funcionários cotistas

 

Fonte: Valor Econômico – Autor: Claudia Gonzales
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